domingo, 18 de maio de 2014

CONCLUSÕES......


A participação da condução dos destinos da sociedade, como manifestação de cidadania, não se limita à atividade política profissional ou ao exercício do direito de voto, mas revela-se fundamental para todo membro da sociedade, que não deve ser apenas sujeito passivo das decisões governamentais, mas sujeito ativo que influi positivamente no processo de tomada de decisão sobre a implementação do bem-comum numa sociedade civilizada e democrática

A modalidade em que se pode integrar a educação para a cidadania desenvolvida em Portugal é uma disciplina de “ Educação Cívica”, pois através destas que se cria o desenvolvimento da consciência cívica dos alunos como elemento fundamental no processo de formação de cidadãos responsáveis, críticos, ativos e intervenientes, promovendo atitudes de autoestima, respeito mútuo e regras de convivência que conduzam à formação de cidadãos autónomos, participativos e civicamente responsáveis.

A finalidade da educação para a cidadania consiste em ajudar as pessoas a aprender como se podem tornar cidadãos ativos, informados e responsáveis. Em suma, o principal objetivo da educação para a cidadania é formar cidadãos para a vida democrática.

Os alunos aprendem o que é ser cidadão pela participação em discussões e debates na sala de aula, na vida escolar e da comunidade e pelas oportunidades colocar em prática as suas aprendizagens face a situações reais.
A cidadania tem um conceito plural que se desenvolve em torno de diferentes paradigmas em sociedade. O paradigma individualista, encara a cidadania como o ensino para práticas das liberdades individuais (o individuo tem direitos sociais e estes são defendidos), enquanto no paradigma político encara como uma participação nos deveres cívicos, institui a democracia como esfera na ação pública, no qual as obrigações dos cidadão fazem parte do discurso.

O paradigma de identidade coletiva interpreta que é universal e que contribui para a inserção e prática de valores, a cultura e as tradições são comuns, tem o indivíduo como pertença na sociedade.

FRAGILIDADES DA CIDADANIA


Segundo Augusto Santos Silva:
A educação para a cidadania há-de ser pois, a educação para a complexidade e abertura e claro que a noção de deveres ou responsabilidades, lhe está inerente.

Esta deve gerar comportamentos sustentados, é necessário equilibrar o planeta, é preciso uma participação mais ativa por parte das mulheres, é necessária uma partilha positiva com os outros.
A educação para a cidadania compreende o desenvolvimento de competências cognitivas, ética-afetivas e sociais

Sinais de alarme/ Fragilidades

Aumento da apatia política e da indiferença ideológica
Absentismo eleitoral massivo
Xenofobia
Intolerância
Violência gratuita
A Europa debate-se hoje com estes problemas e é em parte por isso que se quer reforçar a centralidade da educação na e para a cidadania em todos os níveis de ensino.
É necessário um espaço público em que a cidadania ganha sentido e efeito.

As instituições escolares adotam na sua maioria práticas pedagógicas aproximadas aos valores e competências constitutivas da cultura cívica democrática

Uma prática construída em torno da cidadania, quer dizer implicação ativa das crianças e da sua formação para e nos valores da cultura e participação democráticas

É fundamental a abertura da escola à comunidade local e da comunidade local à escola.

O fenómeno da globalização, inserido na sociedade de informação torna perigosamente visível crescente desfasamento entre regiões, países e pessoas com um elevado poder de compra e aqueles que vêm a sua situação piorar gravemente. Não é pois de estranhar que uma das consequências da sociedade de informação seja o agravamento da crispação social, nomeadamente a nível local, e que estes problemas sejam transferidos para as escolas, criando situações de violência e abandono.

Como mencionou a colega Diana Costa uma das principais fragilidades está relacionada com o aumento da apatia politica e a indiferença ideológica, muitos deixam de acreditar nos aspetos fundamentais da cidadania a abandonam a sua própria identidade, e esta questão leva a outra fragilidade a do Absentismo porque muitos individuo as deixam de acreditar nos procedimentos democráticos. A abstenção mostra a não participação dos indivíduos na vida pública. A desinformação dos cidadãos também poderá ser um dos fatores que leva ao absentismo. Cada vez é mais importante estar informado sobre tudo o que nos rodeia. Para que possamos evoluir ao mesmo tempo que as tecnologias.

A Xenofobia, como afirmou o Prof J. António Moreira, poderá revelar-se como uma ameaça á cidadania democrática. É preciso pensar antes de agir, temos de nos tentar compreender e organizar.

FRAGILIDADES



CIDADANIA - Segundo António Manuel Fonseca


Segundo António Manuel Fonseca, as características mais importantes no que respeita à contribuição da educação para a cidadania e ao papel da escola, são:


• transmitir saberes assentes na relação e na participação
• facilitar a autonomia e identidade pessoal
• promover a inclusão, a solidariedade e a partilha de valores (memória cultural,…)
• criar hábitos de debate, análise de situações concretas [contextos reais], gestão de conflitos, reflexão crítica e codecisão
• capacitar para a ação e transformação sociais (bem comum, lutar por direitos, ação conjunta, …), ou seja, favorecer a capacidade interventiva
• incentivar as virtudes sociais (mérito, gratidão, justiça social, autenticidade, amizade, liberdade,…) e as competências cívicas (coragem, tolerância, compromisso, legalidade, transparência, pluralismo, …)
• aprender fazendo

  

Quanto às características que a organização e a prática escolar deverão ter para contribuir para a educação para a cidadania, salientam-se:

• coerência entre discurso e práticas (não se ensina democracia, exerce-se…)
• abertura à comunidade e à diferença (participação de todos, solidariedade entre pessoas e grupos)
• gestão democrática da escola [organização, atitudes e práticas] incluindo as práticas educativas na sala de aula, envolvendo os alunos a diferentes níveis (direto e/ou representado)
• clima social de liberdade, dignidade pessoal e responsabilidade num compromisso comum (com respeito recíproco)
• proporcionar experiências reais de cidadania vividas pelos jovens (fomento de voluntariado social, entreajuda,…) e refletir sobre elas
• promover novas atitudes e comportamentos em diálogo e cooperação interculturais
• olhar o aluno como cidadão (com direitos e deveres), independentemente da idade e nível escolar

 
Para terminar não podia deixar de citar a seguinte frase do Prof J. António Moreira (Quinta, 24 Abril 2014, 18:11) “ Só um cidadão ativo e embuído de um espirito democrático poderá contribuir para o desenvolvimento que queremos sustentável”.

CIDADANIA ATIVA


Cidadania ativa – Participação ativa

·         Participação ativa na sociedade e exercício de direitos (cívicos, políticos e sociais) através de práticas de envolvimento em estruturas locais, nacionais e transnacionais.

·         Conhecimento e compreensão dos direitos e das estruturas e procedimentos democráticos

·         Ausência de práticas discriminatórias

·         Competências

·         Que os sujeitos se sintam seguros da sua própria identidade numa sociedade multicultural

·         Capacidade de responder Positiva e abertamente a indivíduos ou grupos, cuja as culturas e tradições são diferentes das da sua comunidade.

·         Confiança na sua própria cultura e identidade como pré requisito para o estabelecimento de relações positivas com os outros.

EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA: Objetivo transversal da política educativa


Educação para a cidadania: Objetivo transversal da política educativa

 

Vivemos hoje, mais do que nunca, numa época de transformação e mudança. A globalização e a explosão tecnológica a nível de comunicação e informação tornam ainda mais visível o fosso entre os países desenvolvidos e os países que não têm sequer acesso às necessidades primárias, assim sendo, cria-se um ambiente de crispação social, quer a nível local, quer mundial. Não é de estranhar que essa tensão seja transportada também para o ambiente escolar, onde o comportamento é cada vez mais violento, onde os resultados de aprendizagem são de níveis baixos, ou simplesmente pelo sentimento de apatia dos alunos em relação à escola.

 

A educação para a cidadania alicerça-se nos seguintes vetores

·         Participação ativa e o envolvimento na vida de uma dada comunidade, sustenta e contribui para a produção de conhecimento, para a responsabilização, a partilha de culturas.

·         O direito de participar na vida política, económica e social não significa só por si que o façam ou que todos os cidadãos tenham a mesmas condições para o fazer

·         A cidadania ativa decorre do sentimento de pertença dos indivíduos e dos grupos à sociedade em que se inserem e isso depende também da promoção de condições de inclusão e coesão social, bem como do desenvolvimento de atitudes e valores

Particularidades da cidadania – Atributos da cidadania

·         Sentido de identidade (encara a cidadania como prática das liberdades individuais)

·         Acesso a determinados direitos

·         Cumprimento de certas obrigações

·         Interesse e envolvimento pelos assuntos públicos

·         Aceitação de valores sociais básicos

·         Tratando-se de um conjunto plural a cidadania pode desenvolver-se em torno de diferentes paradigmas, embora os próprios paradigmas vão evoluindo (relação entre paradigmas políticos e conceções de cidadania)

 

Resumo: Á medida que o exercício da cidadania se torna um processo de inclusão social, as oportunidades de desenvolver e praticar autonomia, a responsabilidade, cooperação e a criatividade, contribuem para que em cada sujeito desponte um sentimento de mérito pessoal.

A prática de cidadania alicerça-se num processo de reflexão crítica

 
O desafio que se coloca à educação para a cidadania consiste em determinar quais as necessidades dos indivíduos em termos de informação, dos saberes, das competências e capacidades que estes devem munir para se tornarem socialmente empenhados.

Na Educação para a cidadania o mais importante é contribuir para o desenvolvimento da compreensão intercultural e de capacidades de tomada de decisão e resolução de problemas

 Se o individuo se sente responsável, parte de uma sociedade, participando crítica e ativamente nela, cria um sentimento de auto estima, de mérito, o que contribui para uma melhor preparação e práticas tolerantes face às adversidades, para tal, a educação para a cidadania, consiste em reconhecer as necessidades individuais de informação, saberes, capacidade e competências, para que estes se tornem socialmente empenhados, com certeza que não será com uma lista fixas de normas e valores, que se vai conseguir transmitir o conceito de cidadania.

O cidadão ativo e responsável deve saber distinguir os vários níveis dessa cidadania, o exercício dela deve inserir-se tanto na relação dos indivíduos com as instituições, como com as comunidades, como ainda na dimensão de cidadania multidimensional, onde o individuo deve ter capacidade de exercer a cidadania na dimensão pessoal, espacial, social e tempo.

CIDADANIA NA EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA


O ser cidadão não requer idade, embora alguns direitos e deveres, surjam aos 18 anos, é a partir da infância que deve ser ensinada a cidadania.

 Em democracia o indivíduo tem mais facilidades de exercer a sua cidadania, não só a nível político, mas também nas diversas instituições, nomeadamente na escola, mas de acordo com o sistema de ensino atual, onde a transmissão de conhecimentos é vertical autoritária, e que os conhecimentos a transmitir, obedecem a um padrão único com o objetivo de atingir todos os alunos de igual maneira, é incoerente com o panorama atual de diversidade.

 A cidadania pressupõe diferentes dimensões, a nível pessoal – liberdade individual e o direito a um sistema de acesso às necessidades primárias, o nível cívico – requer condições e regras gerais de participação na decisão pública.

 Atualmente o exercício da cidadania é bastante complexo, esse exercício não se circunscreve somente à sociedade a que se pertence, não esqueçamos que vivemos na “aldeia global”, onde as diferenças são muitas, que todas são válidas, e que, para alem do dever de respeitar a multiculturalidade (todos diferentes, todos iguais), devemos interiorizar que não passamos do que mais uma espécie animal a viver no planeta, assim, devemos ser cidadãos responsáveis e atentos à preservação do meio ambiente, do planeta onde vivemos, porque se a natureza se “revoltar” é contra todos, não diferencia os ricos dos pobres, os mais inteligentes ou menos inteligentes, negros ou brancos, com ela (natureza) podemos tirar uma boa lição de cidadania como seres planetários – o tronco comum a qualquer ser humano.

Como afirmou e muito bem a colega Diana Costa o relatório da Unesco da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI, Educação um Tesouro a Descobrir foi muito bem conseguido, o conceito de Educação deu lugar a um conceito de aprendizagem ao longo da vida pudendo mencionar aqui as quatros pilares da Educação: Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver juntos. (como nos mencionou o colega Rui.